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Fé em Deus e pé na tábua

Este era o slogan usado por Adhemar de Barros em suas campanhas

Adhemar de Barros, primeiro filho de Antônio Emygdio de Barros, o Tonico, e Elisa Pereira Pinto. Ele nasceu em Piracicaba em 1901, pois a mãe queria estar perto da família e de seu médico.

Adhemar passou sua infância e o aprendizado das primeiras letras na tranquilidade interiorana, sob o manto protetor dos pais. Sempre manteve uma relação permanente com a família e seus negócios agropecuários em São Manuel. O que moldou parte de sua personalidade, que tem muito do caboclo interiorano na sua intimidade com as coisas da terra, na maneira de encarar a vida e de tratar as pessoas.

Morando em São Paulo até fins de 1914, ano em que eclodiu a Primeira Guerra Mundial, dirigiu-se então para o Rio de Janeiro e ingressou na Escola Nacional de Medicina, a mais importante do país. Ao concluir o curso, fez especialização em Parasitologia, Helmintologia e Microbiologia no Instituto Oswaldo Cruz. Ao terminar a especialização, Adhemar frequentou a Universidade nos Estados Unidos, e em seguida, começou sua residência médica na Europa, onde permaneceu dois anos entre Hamburgo e Berlim, na Alemanha, e em hospitais na Franca, Áustria, Suíça e Inglaterra.

Casado com Leonor Mendes de Barros, com quem teve 4 filhos, Maria Helena, Adhemar Filho, Maria e Antônio, em 1932, alistou-se como médico na Revolução Paulista, como o fizeram também grande parte dos jovens paulistas de sua época.

Foi lançado na política partidária por um tio, que fora senador estadual na República Velha, José Augusto Pereira de Resende, chefe político do Partido Republicano Paulista (PRP) da região de Botucatu. Adhemar passou 35 anos de sua vida exercendo alguns dos mais altos cargos e funções da administração pública paulista e nesse período participou, direta ou indiretamente dos fatos mais importantes do país, inclusive como candidato à Presidência da República em quatro campanhas eleitorais.

Para ele, planejar era fundamental, não concebia governar sem planejar.

Em São Paulo, como interventor e Governador do Estado e prefeito da capital, iniciou, realizou, integralmente ou apenas concluiu um número surpreendente de obras, como por exemplo, a construção das Rodovias Anchieta, Anhanguera e Castello Branco, o Estádio do Pacaembu, o Hospital das Clínicas de São Paulo, o Hospital Emílio Ribas, o Ceasa, o Aeroporto de Congonhas, entre tantas outras tão importantes quanto.

Médico, sempre deu especial atenção à área de saúde e criou o Hospital contra tuberculose em Campos do Jordão, pois ainda não havia a vacina BCG, mas educação, agricultura, transportes e infraestrutura também estiveram entre suas prioridades. Em São Manuel foi homenageado através do Estádio Municipal “Adhemar de Barros” e do busto de bronze junto com o de Laudo Natel, simbolizando os dois governadores no Jardim Público. Na Biblioteca Municipal “Dr. Francisco Câmara Ferreira” de São Manuel encontra-se metade de seu acervo de livro doado por seu filho Adhemar de Barros Filho.

Sua atuação foi decisiva para o sucesso do Movimento de 1964, que instaurou o regime militar e pouco depois o vitimaria, cassando seus direitos políticos, forçando-o ao exílio em Paris e a uma morte distante de sua família, e de tudo o que sonhara e construíra.