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Uma mulher que viveu o amor

Eunice Weaver, uma moça alegre, que cursou sociologia e com o seu diploma queria consertar o mundo

Eunice Sousa Gabi Weaver, nasceu numa fazenda de café, em São Manuel, em 19/09/1902, filha de Henrique Gabbi – carpinteiro, natural da província de Reggio Emi- lia, Itália – e de Leopoldina Gabbi – natural de Piracicaba/SP. Sua vida foi totalmente dedicada aos portadores do mal de hansen e suas famílias. Sua mãe, de origem suíça, falava muitas línguas, imprimia hábitos de estudo e princípios morais austeros.

Em 1927, já residindo em São Paulo, casou-se com o norte-americano Charles Anderson Weaver que, logo após o casamento, foi convidado para dirigir um projeto na Universidade de Nova York, pelo qual alunos visitariam 42 países, com o objetivo de incrementar a formação acadêmica. Eunice acompanhou o grupo nessas viagens e teve a possibilidade de entrevistar Mahatma Ghandi e visitar muitos leprosários na África e na Ásia. Ao retornar aos EUA cursou Serviço Social na Universidade da Carolina do Norte. No início da década de 1930, Charles Weaver assumiu o cargo de diretor do Co- légio Granbery, de cunho metodista e localizado na cidade mineira de Juiz de Fora; na mesma institui- ção Eunice Weaver lecionou história e geografia até 1934. Tão logo mudou-se para Juiz de Fora, ela também passou a dedicar-se à assistência social aos leprosos, tendo fundado e presidido a Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa Contra a Lepra daquela cidade.A Sociedade fornecia mantimentos aos internos do leprosário Santa Isabel, de Belo Horizonte, e promovia campanhas para arrecadar donativos.

Seu engajamento no combate à lepra teria sido influenciado por um fato trágico de que foi testemunha: durante sua mocidade, em Piracicaba, “uma jovem leprosa simulou suicídio para esconder-se da sociedade e livrar sua família do estigma dessa doença”.

Em 1935, Eunice Weaver assumiu a presidência da Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra, sua gestão foi marcada pelo apoio estatal e usou seu capital simbólico nas negociações necessárias para viabilizar o projeto da entidade.

Durante a sua presidência, as atividades filantrópico-assistencialistas desenvolvidas pela Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra foram parte constituinte da política governamental de combate à enfermidade.

Na gestão de Eunice Weaver a Federação passou a dar assistência direta apenas aos filhos sãos dos internos nas colônias, cabendo aos preventórios acomodar crianças e adolescentes até os 20 anos. Em 1935, existiam dois preventórios com cerca de 200 internas; 14 anos depois, aumentou para 26 o número de instituições, com mais de 3500 crianças internadas.

Sempre trabalhando, faleceu em 9 de Dezembro de 1969, aos 67 anos, como sempre vivera: dedicada ao próximo.

Reconhecimentos
Foi a primeira mulher a receber a Ordem Na- cional do Mérito, no grau de Comendador, em novembro de 1950, e a primeira pessoa, na América do Sul, a receber o troféu Damien-Dutton. Publicou “Vida de Florence Nightingale”, “A Enfermeira” e “A História Maravilhosa da Vida”. Representou o Brasil em inúmeros congressos internacionais sobre a hanseníase, tendo organizado serviços assisten- ciais no Paraguai, Cuba, México, Guiatemala, Costa Rica e Venezuela.

Foi homenageada com o título de “Cidadã Carioca” e com o título de “Cidadã Honorária de Juiz de Fora”. Foi delegada brasileira no 12º Congresso Mundial da Organização das Nações Unidas, em outubro de 1967.

Em diversos Estados do Brasil, instituições de assistência aos hansenianos levam o nome de “Sociedade Eunice Weaver”.