Leite, pão e “bolachão”

24 de janeiro de 2020 0 Por Jornal O Debate

Coleção de vinis é uma das atrações da Padaria AD Kipão, na Cohab 1

O conceito é interessante. A primeira impressão que se tem é a de uma padaria tradicional – e bem tradicional, diga-se de passagem, Há mais de dez anos a Padaria AD Kipão, localizada na Cohab 1, em São Manuel, oferece aos seus clientes um dos melhores pães da cidade, café sempre fresquinho, o tradicional pão de queijo estampado na vitrine, doces organizados pelas gôndolas e balcões, e tudo aquilo de melhor que uma panificadora do interior pode oferecer. Sem contar a simplicidade que deixa tudo mais gostoso do que já é. Mas não foram apenas esses motivos que levou a nossa equipe até aqui.

Uma parede nos chama a atenção. São cerca de 20 discos de vinil emoldurados e dispostos igualmente a ela. O proprietário e responsável pela atração, Marco Aurélio Raimundo, ou Marcão, como é conhecido por seus amigos e fregueses, conta que a ideia surgiu há cerca de dois anos, quando estava limpando alguns armários de sua casa, e achou uma coleção de discos de seu pai, Jurandir. “Estávamos limpando e tive a ideia de emoldurar para fazer uma renovação no ambiente”, conta.

Ao meio das relíquias, encontram-se algumas capas autografados, como é o caso dos álbuns “Volume 7”, da saudosa dupla João Paulo e Daniel, “Fotografia”, de Chitãozinho e Xororó e “Adeus Mariana”, de Sérgio Reis. Contudo, uma outra raridade pode ser encontrada na parede: um álbum de 1985 que se chama “Fesebo”, gravado no 2º Festival Sertanejo de Botucatu. Das cinco duplas participantes, uma é de São Manuel, Cidinho e Saudade.

“Nossos clientes gostaram da ideia e até deram alguns vinis para que fizessem parte da coleção, inclusive, gente até de Botucatu já soube e veio aqui trazer pessoalmente, por isso sempre que nos oferecem, a gente acaba aceitando”, comenta Marcão. Para ele, a maior dificuldade ainda está em achar um preço mais em conta para fazer as molduras: “Fiz questão de deixar o ‘bolachão’ dentro dos quadros, para preservar a embalagem original”.

E continua: “Quando o povo repara com calma os discos emoldurados, começam a conversar e contar histórias relacionadas, principalmente quando deixam algum vinil para nós, como é o caso daquele com o autógrafo do Chitãozinho e Xororó. E ainda tem gente que vem aqui, vê algum detalhe e relembra de algum causo, como por exemplo o selo da Loja Som”, loja que ficava no centro da cidade, sob comando de Florival Joannes.

Além da AD Kipão, a família de Marcão é proprietária da Padaria Pão Kent, esta, gerida por Jurandir, que já está há 35 anos no mercado panificador. Para ajudá-los, a matriarca dá o devido suporte aos rapazes fantasiosos. “A ideia é preencher a parede com os discos e fazer um mosaico, para combinar como o que estampa a geladeira de bebidas e o que fica atrás da televisão”, finaliza.