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Patrimônio São-manuelense

A sede da Fazenda Saltinho é um remanescente do ciclo econômico representado pela expansão da cafeicultura que, nos primórdios do Sec. XIX, iniciou sua expansão rumo ao interior do estado

A sede da Fazenda Saltinho é um remanescente do ciclo econômico representado pela expansão da cafeicultura que se projetou desde o Vale do Paraíba, ainda no século XVIII, e que, nos primórdios do século XIX, iniciou sua expansão rumo ao interior do estado, a partir do Município de Areias, rumo a Campinas, se espalhando rapidamente pelo norte e oeste do Estado.
A partir de 1854, o Brasil se coloca como o primeiro produtor mundial de café. O Município de São Manuel teve papel de destaque nesse processo. Suas terras excelentes para a cafeicultura favoreceram o surgimento de algumas lavouras já no início do séc. XIX.

Inclusive a ferrovia seguiu a trilha do café, aqui chegando no final da década de 80, do século XIX. Nesse processo vários forasteiros foram atraídos pelas terras férteis do Município. Dentre esses, chegou por aqui, por volta de 1860, o mineiro Manoel Rodrigues Simões, que adquiriu uma gleba de terra às margens do Rio Paraizo, que denominou Fazenda Saltinho.

Com a derrubada de uma pequena parte do mato, iniciou o plantio da lavoura de café. Em pouco tempo a plantação já dava mostras de excepcional vitalidade, em razão, principalmente, da feracidade da terra que, aliada ao trabalho árduo, cedo o recompensou, propiciando com isso a expansão de suas lavouras.

Tendo adquirido outras propriedades na região e no Estado, manteve sempre a sede da administração na Fazenda Saltinho, que aos poucos foi se transformando em uma vila, agregando diversas atividades, desde oficinas para a manutenção das máquinas e equipamentos das fazendas, olaria, serraria, até uma pequena estrutura para atender os trabalhadores, com armazém, farmácia, consultório de dentista, e um ambulatório, que funcionava como hospital para os primeiros atendimentos.

Em fins do séc. XIX, foi instalada na vila da fazenda a Estação Ferroviária de Rodrigues Alves.
Com o nascimento dos filhos, resolve construir uma residência maior e com mais conforto. Contrata para elaborar o projeto da nova casa, o Arquiteto Ramos de Azevedo, que, nessa época, por volta de 1885, ainda tinha escritório em Campinas.

Das pranchetas do Escritório Ramos de Azevedo saiu o projeto, cuja edificação ficou a cargo do engenheiro Raul Simões, tendo a obra sido concluída no final da década de 80, do século XIX.

A propriedade ficou com a Família Simões até o ano de 1976, quando foi vendida para a Usina da Barra, e, posteriormente, a parte com as edificações foi adquirida pela Usina São Manuel.
Sem uso, a antiga casa sede sofreu os desgastes do abandono.

No ano de 1999, um dos descendentes de Manoel Rodrigues Simões, Ciro D’Avino e sua esposa Simone, adquiriram da Usina São Manoel, a parte da sede e um remanescente da antiga vila da estação. A partir daí, foi dado início ao projeto de restauro da casa-sede e do entorno, que está em fase de conclusão.

Ainda no ano de 2012, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado – CONDEPHAAT, iniciou o processo de tombamento, nos termos da legislação estadual e federal.

Com a conclusão das obras de restauro, a intenção do atual proprietário é a de integrar o Patrimônio com o plano turístico da região, o Polo Cuesta, e com os projetos que deverão ser implementados em São Manuel, por conta da recente classificação de Município como de Interesse Turístico.

Inicialmente a casa-sede está sendo preparada para receber eventos. E, posteriormente, pode ser desenvolvida a atividade hoteleira, já que uma parte das casas da antiga colônia estão em bom estado de conservação, devendo ser restauradas e adaptadas para essa segunda fase do projeto.