Harmonia das linhas

Nascido em São Manuel, o pintor da natureza projetou-se dentro e fora do país

Já se passou tanto tempo que muitas daquelas pessoas que poderiam testemunhar a trajetória vitoriosa do são-manuelense Juca Canella na arte da pintura e do desenho, notadamente na década de 1930 e princípio dos anos de 1940, já não estão neste plano. E os mais novos, por falta de informação ou interesse, certamente nunca ouviram falar dele. Mas isso não torna esse artista plástico que ganhou notoriedade dentro e fora do país menos importante. Ao contrário, uma corrida de olhos pela rica obra que leva sua assinatura e é composta de mais de mil quadros de autoridades, paisagens e natureza morta expostos em museus do Brasil e do exterior, denota a grandeza do pintor que também se revelou em vida um profícuo estudioso da zootecnia.

José Canella Filho nasceu no distante 1897, época em que o café dominava a economia local e os italianos desembarcavam aqui transportados pelos trilhos da Sorocabana na esperança de ganhar di- nheiro na lavoura. Assim, como a maior parte dos são-manuelenses nascidos naqueles idos, Canella era descendente desses imigrantes, gente laboriosae dada a enfrentar desafios, particularidade que podeter contribuído para a sua formação. Ele tinha o dom da pintura, mas se desenvolveu por conta própria, um autodidata que mereceu o reconhecimento da crítica tão logo começou a expor seus quadros.

SAUDADES DAQUI – Zé Canella, outro dos cognomes dado ao artista, começou a pintar nos anos de 1930, aos 38 anos, e tinha como inspiração – segundo suas palavras – os rios de São Manuel. “Vivacidade dos movimentos, harmonia das linhas, delicadeza do colorido e profunda descrição da figura humana.”Foi assim que o jornalista e colunista Américo Ragazzi definiu o mestre dos pincéis, em 19 de junho de 1982, por ocasião da exposição póstuma em homenagem ao pintor no Museu Histórico e Pedagógico Padre Manuel da Nóbrega, em São Manuel, como parte das comemorações das festividades do Dia da Cidade.

Canella era apaixonado por sua terra natal a despeito de ter passado parte de sua vida em Barra Bonita, para onde a família se mudara. Com a saúde debili- tada em seus últimos anos, ansiava por retornar a São Manuel “no esforço para recuperar-se da enfermidade que o acometia”, conforme o jornal “O Liberal”. Juca Canella morreu em 15 de dezembro de 1942, em São Paulo, e segundo Armando Comenale, colunista daquele periódico, “partiu em paz, observando a natureza pela janela do quarto do hospital”.

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