O descobridor de talentos

Apaixonado pelo basquete, ganhou títulos e revelou atletas

Ela ficou nacionalmente conhecida como a rainha das quadras e suas habilidades como basquetebolista atravessaram fronteiras. Hortência de Fátima Marcário, a Hortência da bola-ao-cesto foi, possivelmente, a atleta mais importante desse esporte no país e a excelência como praticava o basquete motivou a inscrição de seu nome no memorial Nai Smith, o hall da fama dos Estados Unidos que dá guarida a um seleto grupo de jogadoras de efetivo realce mundo afora. Mas como tudo começou e como a menina nascida em Potirendaba, na região de São José do Rio Preto, em 1959, despontou para o basquetebol, aos 13 anos de idade? Começou com a mudança da família de Hortência para Santo André, na Grande São Paulo, quando ela tinha 9 anos, e nessa época, ainda sem uma meta definida comoesportista, ela jogava futebol de salão, handebol epraticava atletismo no colégio.

Todavia, assim que passou a frequentar as quadras e mostrar suas potencialidades, foi convidada a integrar o time de bola-ao-cesto da escola. Sua sorte, então, foi definitivamente selada: um professor daquela instituição de ensino, o são-manuelense Waldir Pagan Peres, que também acumulava o cargo de técnico da seleção feminina de basquete do Brasil, encantou-se com as qualidades da jogadora e passou a fazer planos para ela. Festejado pela imprensa como o descobridor de Hortência, Pagan apresentou sua pupila ao projeto da Secretaria dos Esportes “Adote Um Atleta” e ela, por conta dessa iniciativa, passou a ser patrocinada por uma indústria de bicicletas. O resto da história o Brasil inteiro conhece.

Título mundial 
Pagan nasceu em 1937 e era o mais novo de uma família de doze filhos, todos altos, o que pode ter influenciado a sua opção pelo basquete. O primeiro passo dessa caminhada deu-se com a formatura em Educação Física, em Bauru, em 1955 – lá conheceu a ginasta Nilda, sua com- panheira pelo resto da vida. Nesse tempo já jogava bola-ao-cesto e foi assim que, anos mais tarde, se consagraria como especialista em psicologia do esporte, professor na Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Secretaria de Esportes de São Paulo. Mas foi como técnico de basquete, a sua grande paixão e, certamente, a atividade de maior peso no seu currículo, que ele se projetou nacionalmente.

Dentre as várias vitórias do técnico Pagan merecem destaque a conquista da medalha de bronze pela seleção nacional de basquete feminino no Mundial do Brasil, e de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Cali, na Colômbia, ambas em 1971. E como supervisor, em 1994, ele ajudou as meninasdo Brasil a ganharem o título do Mundial, realizadona Austrália. Pagan morreu em 2014, aos 77 anos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *