Onde mora a nossa história

Potência agrícola no período da cafeicultura, São Manuel foi, no século passado, uma das mais impor- tantes cidades do nosso estado. Terra de ex-governadores e de lideranças políticas, nossa cidade também apresentou para o Brasil uma das suas maiores riquezas, a dupla caipira Tonico e Tinoco.

Só o prédio onde está instalado o Museu Histórico e Pedagógico Padre Manuel da Nóbrega, uma relíquia arquitetônica do início do século passado, já desperta a atenção do visitante, seja por sua beleza ou pela semelhança com a sede do Parlamento de Victoria, localizado na cidade de Melbourne, na Austrália.

O imóvel foi erguido para ser a Prefeitura e a Câmara, no qual foi sede durante mais de 60 anos. Na década de 70, se tornou o que é até hoje, o Museu Histórico e Pedagógico Padre Manuel da Nóbrega. A fachada se assemelha com a de igreja, por ter uma torre e um relógio -que voltaram a funcionar recentemente. “Tem gente que confunde, entra no prédio do museu e pergunta pelo padre, achando que aqui é igreja”, conta a funcionária do museu Aparecida Toledo Crotti.

A relíquia mais antiga é um canhão de 1667, do período do Brasil Colonial, exposto logo na frente do hall de entrada, onde duas telas resgatam a figura do padre jesuíta homenageado.

Outro ambiente importante é a sala dedicada a Mário Martins de Almeida, são-manuelense morto durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Esse estudante faz parte do acrônimo pelo qual se tornou conhecido o levante revolucionário paulista, em virtude das iniciais dos nomes dos manifestantes paulistas Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo e Alvarenga (MMDCA), mortos pelas tropas federais num confronto ocorrido em 23 de maio daquele ano.

“Tem gente que confunde, entra no prédio do Museu e pergunta pelo padre, achando que aqui é igreja”

Aparecida Toledo Crotti (Funcionária do Museu)

Arnaldo Catalan Júnior, Diretor de Cultura, garante que na região não há um museu com uma quantidade de peças tão variada e já conhecido no interior do Estado. O museu guarda coleção de revólveres e es- pingardas, algumas do século 19. “O acervo é considerado um dos mais importantes do Estado”, afirma. O Museu foi criado por meio de Lei número 189 de 17 de junho de 1953, através de proposição feita pelo então vereador professor Lino José Saglietti, que havia recebido a indicação dos secretários de Cultura, Esporte e Turismo, dr. Orlando Zancaner e dr. Paulo Marcondes Pestana, na gestão do então prefeito Geraldo Pereira de Barros.

No entanto, foi constituído e oficializado apenas em 1970, por decreto do então governador do Estado, dr. Roberto da Costa de Abreu Sodré, e inaugurado no ano seguinte, durante a gestão do prefeito dr. Paulo René de Barros, graças ao esforço de um grupo de são-manuelenses e do apoio da artista plástica Maria Arruda Botelho de Souza Aranha. Seu nome foi escolhido durante a inauguração, em 1970, como uma homenagem ao Pe. Manoel da Nóbrega, por coincidir com o aniversário de 400 anos de Nóbrega. O religio-so foi um sacerdote jesuíta português e chefiou a pri- meira missão jesuítica à América. 

Com informações do Jornal da Cidade.

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