Jornal O Debate

Informação com Credibilidade

Chacareiros do Catâneo Ângelo vão vender parte do que produzem em feira própria

A ideia, ainda em fase de elaboração, mas com prazo determinado para sair do papel, prevê a criação de uma feira com o propósito de comercializar toda sorte de doces caseiros, hortifrutigranjeiros, mudas frutíferas e ornamentais, queijos e afins, uma proposta que ganha vulto com a adesão de boa parte dos chacareiros do bairro “Catâneo Ângelo”. Proprietários de pequenas áreas agrícolas têm o hábito de plantar legumes e verduras para o consumo doméstico e, vez por outra, vender o excedente a vizinhos e interessados. No caso dos catâneo-angelenses essa prática começou a dar origem a um ativo comércio entre os moradores do loteamento que avançou muito de uns tempos para cá graças, especialmente, ao grupo de WhatsApp e ao intercâmbio que passou a existir entre eles.

João Carlos Lorenzon, titular do Colégio Liceu/Anjinho da Guarda e dono de uma chácara no bairro, foi quem sugeriu a criação da feira a fim de que parte da oferta fosse negociada com consumidores da cidade e potenciais compradores que trafegam pela Rodovia Marechal Rondon, um parecer que se propagou rapidamente como um rastilho de pólvora pelos quatro cantos daquele pedaço de chão. “É um negócio tão atraente que não poderia ter sido outra a recepção”, observa Maria Cristina Fonseca Chinelatto, também proprietária e moradora no Catâneo Ângelo.

Sob a varanda – Criado em 1978, por iniciativa de uma imobiliária de Botucatu, o bairro de chácaras, fincado ao lado daquela movimentada rodovia, consolidou-se definitivamente como um recreio de pequenas propriedades agrícolas. Um local agradável, verdejante e cheio de graça que tem despertado o interesse de pessoas que comungam da mensagem transmitida pela música “Casa no Campo”, eternizada na voz de Elis Regina: “Eu quero uma casa no campo, onde eu possa ficar no tamanho da paz”. Constituído por 120 unidades, medindo 5 mil metros quadrados de área cada uma, o lugar mudou radicalmente em relação há anos atrás: se, no passado, apenas algumas chácaras eram habitadas; hoje, mais da metade se transformou em residência e domicílio de seus donos, conferindo àquela imensa gleba um ar de cidade pequena. Sim, porque distante apenas 5 quilômetros da zona urbana de São Manuel e 12 de Botucatu, passa a ideia de uma comunidade com vida independente. Ela dispõe de iluminação pública e infraestrutura básica; é atendida pelos correios e pelo serviço de coleta de lixo úmido e seco; suas crianças são transportadas por ônibus até as escolas da sede do município; a Sabesp, responsável pelo fornecimento de água ao bairro, mantém ali uma pequena instalação; uma capela devotada a Santo Expedito conforta os católicos com missas mensais; e, para fins de reuniões efestas, tem à disposição um centro comunitário mantido pelo poder público. Enfim, como gostam de frisarseus moradores, “isto aqui é um paraíso”.

O plano é que a feira, que será aberta sempre aos domingos, comece a funcionar no dia 5 de maio, das 8h às 12 h, bem ao lado do portal que dá acesso ao loteamento, sob a varanda do restaurante Fogão a Lenha, de propriedade de Norival Bontempo, que mora no bairro. Como tudo ainda é recente e os futuros feirantes terão de se preparar adequadamente para dar cabo da nova empreitada, pode mesmo acontecer que a participação dos expositores só venha a alcançar a plenitude com o devido decorrer do tempo. Como se dá com quase todas as investidas do gênero, a tendência é encorpar e alçar voo paulatinamente.