Bom de bola

Começou a jogar aos 11 anos, em São Paulo, e logo virou ídolo de um esporte que ganhava adeptos no país

Nos primórdios do século passado, quando o futebol apenas engatinhava no Brasil, um jovem são-manuelense destacava-se pela excelência como praticava o curioso esporte trazido da Inglaterra. Em 1902, aos 11 anos de idade, portanto, um menino ainda, já despontava como centro médio (que atua no centro da linha média) das equipes infantis do Paulistano, na capital, isto depois de ter dado a volta por cima porque achava que não levava jeito para a coisa. Por se tratar de uma novidade, o futebol demandou um tempo para envolver os brasileiros, e talvez isso explicasse a titubeação do jovem jogador, indecisão que quase privou o Brasil de um valoroso expoente do esporte bretão.

Rubens de Moraes Salles, representante de tradicional família são-manuelense, era um fenôme- no com a bola nos pés, qualidade que não passou despercebida aos olhos dos dirigentes do Paulistano. Tanto que mantiveram o futebolista em seus quadros anos seguidos, até firmá-lo como titular do time principal em 1907. No ano seguinte, graças aos magistrais passes em profundidade, capaz de desnortear a zaga adversária, o atleta nascido em São Manuel ajudou a levar a agremiação à liderança nas competições das quais participava. Em 1910, com dez gols marcados, foi o artilheiro do campeonato paulista. Pelo Paulistano, sagrou-se seis vezes campeão (1908-1913-1916-1917- 1918-1919), e ocupou o segundo lugar em cinco oportunidades (1907-1909-1912-1914-1920).

Fez bonito 
Salles mostrava um futebol de encher os olhos, e graças à habilidade nos gramados, foi saudado como o primeiro ídolo desse esporte no país, isto na primeira metade da década de 1910, antes, pois, de atingir a maioridade. Perdeu o posto para Arthur Friedenreich, craque como Salles e que se transformaria, rapidamente, num jogador de primeira grandeza do futebol brasileiro. Natural da capital e mais novo do que o talentoso são-manuelense, Friedenreich, também integrou a equipe do Paulistano, só que mais tarde.

Por razões óbvias, a Seleção Brasileira de Futebol não ficaria fora do currículo de Salles, que eledefenderia em várias ocasiões aqui e no exterior. Numa delas enfrentou o Exeter City Football Club, da Inglaterra; noutra, jogou contra os argentinos, na casa deles, tendo sido o responsável pelos dois gols que deram a vitória ao Brasil. Nesse tempo, apesar da pouca idade, já dava os primeiros passos como técnico de futebol, uma opção de trabalho que pautaria doravante sua vida profissional.Todavia, antes de se lançar de cabeça na nova empreitada, atuou como árbitro por dez longos anos. Em 1930, aos 40 anos, e por quatro temporadas, foi o treinador do São Paulo da Floresta, time criado naquele ano e que, em 1935, daria origem ao São Paulo Futebol Clube. Graças ao trabalho de Salles, a agremiação fez bonito em 1931: jogando no Parque São Jorge, conquistou o título do campeonato paulista com uma brilhante vitória sobre o Corinthians por 4 a 1. O são-manuelense bom de bola morreu precocemente em julho de 1934, aos 44 anos.

M.R. Nítolo

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