A “mulher” do comediante

Parceria promissora levou Mazzaropi a manter a estrela são-manuelense como a definitiva companheira nas telas por longos 25 anos

Interprete de peças e composições teatrais em importantes emissoras de rádios de São Paulo, em meados do século passado, e estrela de uma infinidade de novelas transmitidas pela televisão tão logo este meio de comunicação ganhou vida no Brasil, a atriz Geny Almeida Prado não subiu alto no mundo artístico porque tinha uma varinha de condão. Ao contrário, labutou muito até chegar lá, na realidade, um enredo seguido à risca por boa parte dos mortais que ascendem ao cobiçado mundo do show business. Você, são-manuelense, sabia disso? Já ouviu falar dessa mulher que em atividade encantava nossos pais e avós com seu jeito meigo e interiorano de interpretar? Sim ela era do interior e sabem de onde? De São Manuel, município que a viu nascer em 12 julho de 1919 e assistiu à sua partida para a cidade grande atrás de um sonho.

Não se deu conta ainda de quem falamos? Vamos dar uma mãozinha: se você é fã ou curte os filmes de Mazzaropi, possivelmente o maior cômico que o cinema brasileiro já produziu, vai saber a quem nos referimos. Geny é a artista que na maior parte dos 34 filmes produzidos pelo comediante faz o papel de suamulher. Uma parceria tão promissora que levou Amácio Mazzaropi (esse era o seu nome) a manter a estrela são-manuelense como a definitiva companheira nas telas por longos 25 anos.

O encontro artístico dos dois aconteceu nos primórdios dos anos 1950, quando faziam parte do elenco de Rancho Alegre, humorístico criado na RádioTupi, dois anos antes, e em que o debochado Mazzaropi arrancava risos dos ouvintes contando piadas e causos da roça. Como se revelou de cara um sucesso retumbante, o quadro foi transferido para a televisão, isto em setembro daquele ano, dias após a inauguração da TV Tupi, em São Paulo, dando ainda maior destaque para aquela são-manuelense que não escondia sua inclinação para a comicidade. E vieram os filmes, anos mais tarde; o primeiro deles Chofer de Praça, em 1958, em que Mazzaropi, na pele de um pobretão chamado Zacarias, muda-se para a metrópole paulistana na companhia da mulher com o propósito de ajudar o filho a estudar medicina. Sem ofício definido, decide ser chofer de táxi, um desastre para o trânsito, um instante de entretenimento para os expectadores em exatos 1h37 de duração.

Mazza, como Mazzaropi também era conhecido, investiu todas as suas economias no Chofer de Praça, a primeira de uma série de produções da recém-criada PAM Filmes, de sua propriedade, em Taubaté, no Vale do Paraíba, e acabou amargando um indesejável revés financeiro, situação constrangedora que teve o demérito de dificultar a feitura das cópias do filme pronto para distribuição. O comediante, então, passou a percorrer o interior de São Paulo fazendo shows para levantar fundos e colocar a casa em ordem. Saneadaas finanças, seguiram-se outros sucessos de público,como, por exemplo, Zeca Tatu (1959), Tristeza do Jeca (1961), O Zeca e a Freira (1968), Um Caipira em Bariloche (1973), Jeca contra o Capeta (1975) eJeca e a Égua Milagrosa (1980). Em depoimento à imprensa, em 14 de junho de 1981, dia em que Mazzaropi morreu, Geny disse que eles eram como partede uma mesma família, e que devia sua carreira aocomediante. “Nos seus filmes, gostava de improvisar, porque ele era engraçado mesmo na espontaneidade, um artista nato”.

Mesmo atuando no cinema, Geny não deixou de integrar o elenco de novelas que ficariam na históriada dramaturgia brasileira, tais como, Dinheiro Vivo,JerônimoMeu Pé de Laranja LimaOs Adolescentes, O Direito de NascerO Ninho da Serpente O Todo Poderoso. Também participou do filme A Marvada Carne, ao lado de Adilson Barros, Dionísio Azevedoe Fernanda Torres, em 1985. Geny faleceria dezessete anos depois de Mazzaropi, em 17 de abril de 1998.

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