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Previnir é melhor que remediar

Atualmente, reportagens sobre grandes tragédias vêm ganhando espaço na mídia brasileira e mesmo mundial. Só neste ano, atítulo de exemplo, no fim de janeiro tivemos orompimento de uma barragem no município mineiro de Brumadinho, vitimando centenas de pessoas; as enchentes e os deslizamentos no Rio de Janeiro; o incêndio no Centro Técnico do Flamengo – conhecido como Ninho do Urubu -, que ceifou a vida de dez jovens jogadores, e o acidente aéreo que matou o jornalista Ricardo Boechat da Rede Bandeirantes. O que mais chama a atenção é que esses tristes acontecimentos talvez pudessem ser evitados se a prevenção estivesse na ordem do dia.

Infelizmente, às vezes esperamos o pior acontecer para depois aprender com a situação e tomar as atitudes necessárias. E issonão é só de agora, vem de longe.

Em 1974, um incêndio no edifício Joelma, na capital paulista, tirou a vida de 187 pessoas. Dois anos antes outro edifício, o Andraus, na mesma cidade, também ruiu com o fogo. Recentemente, em 2013, outro incêndio tiroua vida de 242 jovens na Boate Kiss, em SantaMaria, no Rio Grande do Sul, ferindo outras 680 pessoas. São tragédias, dizem os especia- listas, que também poderiam ter sido evitadas, assim como a registrada em setembro passado no Museu Nacional do Rio Janeiro.

A indústria automobilística trabalha com frequência em suas campanhas o tema prevenção, principalmente nas vésperas de feriados e férias. Levar o carro à oficina para a devida manutenção pode, de fato, ajudar a evitar acidentes. Cabe, na maioria dos casos, apenas fazer a lição de casa para evitar o pior.

Agir de forma cautelosa proporcionaclareza nas decisões, sejam elas próximas ou distantes e em qualquer gênero. E ocorre que, com essa cautela, podemos tomar decisões mais sensatas.

Remediar é como assumir uma culpa edizer que a responsabilidade ficou de lado. Necessitamos fiscalizar não só os outroscomo a nós mesmos. Fatos indesejados, bons ou maus, sempre acontecerão, restando a nós decidir a forma e a intensidade de como issose dará.

Precisamos nos reeducar. Esforçar paramudar nossos hábitos que, por extensão,podem mudar e poupar vidas. Nossas atitudesdevem sair do plano das ideias e serem exe– cutadas com clareza e responsabilidade. Para que possamos, como dizia Boechat, continuar a “tocar o barco”.