Dupla são-manuelense é quem mais vendeu discos no Brasil

Antes de se apresentar ao Brasil pelas ondas das emissoras de São Paulo, a dupla obteve projeção local entoando suas canções, aos domingos, na Rádio Clube de São Manuel

“Moreninha linda do meu bem querer, é triste a saudade longe de você…”. Como dezenas de outras canções, “Moreninha Linda” é uma melodia eternizada pela dupla sertaneja são-manuelense Tonico e Tinoco, a primeira colocada no ranking dos artistas que mais venderam discos no Brasil. Do anonimato ao estrelato, todavia, foram muitos anos de trabalho e devoção pela música.

Os dois saíram da roça, ainda cedo, esperançosos e com a firme intenção de ganhar a vidacom as sete notas musicais. Antes de se apresentar ao Brasil pelas ondas das emissoras de São Paulo, a dupla obteve projeção local entoando suas canções, aos domingos, na Rádio Clube de São Manuel para o delírio da família e de um crescente número de fãs, pessoas que, como os cantantes, eram lavradores da fazenda São Joao do Sintra, onde residiam. Foi assim que João Salvador Perez, o Tonico, e José Salvador Perez, o Tinoco, conquistaram o carinho dos brasileiros. Suas canções, que continuam tocando do Oiapoque ao Chuí, descrevem sentimentos e a rotina do homem do campo de forma simples e cativante. Certamente por isso os Peres ficaram conhecidos nacionalmente como a “Dupla Coração do Brasil”.

No decorrer de uma carreira que conheceu mais altos do que baixos e durou mais de 60 anos, Tonico e Tinoco responderam por quase mil gravações divididas em 83 discos, e 35 mil apresentações. Seus álbuns alcançaram mais de 150 milhões de cópias vendidas, número jamais igualado em solo pátrio. Superaram outros destacados astros da música, gente que, ao contrário da dupla são-manuelense, ascendeu ao mercado muitos anos depois e podia usufruir, especial- mente nas últimas décadas, de uma estrutura de mídia não conhecida no passado.

Informações datadas da segunda metade de 2018 revelaram que as músicas mais ouvidas de Tonico e Tinoco eram, até aquela oportunidade, “O Sanfoneiro só tocava isso” (tema da novela “Êta Mundo Bom”), “Couro de Boi”, “Tristeza do Jeca”, “Saudade da Minha Terra” e “Chico Mineiro”.

O último CD da dupla foi gravado em 1994, pela Polygram (hoje Universal Music), e contou com a participação de Chitãozinho, Xororó, Sandy e Júnior. E o último show aconteceu na cidade mato-grossense de Juína, em 7 de agosto de 1994. Uma semana depois, após uma queda acidental na escada do prédio onde residia, no bairro paulistano da Mooca, um traumatismo craniano levou Tonico para o andar de cima, aos 77 anos.

Apesar da dor e do triste fim de uma parceria que tinha a solidez do aço, Tinoco se viu compelido a continuar na estrada, pois antes do irmão falecer a dupla havia se comprometido com outras apresentações. No dia 4 de maio de 2012, contudo, a viola dos Peres se calou,definitivamente. Naquele dia faleceu Tinoco, aos 91 anos. Os dois são-manuelenses deixaram muito mais que saudades no coração dos brasileiros.

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