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Edição 607 de 21/12/2018

Genésio Simões

Genésio Simões   Nesta entrevista ao Jornal O Debate, Genésio Simões - nascido nesta cidade, hoje com 70 anos de idade e aposentado - conta um pouco de sua história como radialista da antiga PRI-6, que ele define como “um longo, gratificante e saudoso tempo produzindo e apresentando programas”, assim como outros aspectos de sua vida profissional e pessoal.  

Jornal O Debate: - Qual foi o seu primeiro contato com o rádio e como você começou a trabalhar na Rádio Clube?  

Genésio: - Foi na minha adolescência e início da fase adulta, numa época em que o rádio AM ainda era o grande meio de divulgação de fatos, idéias e cultura, principalmente para as pequenas cidades do interior. No ano 1964 foi que a minha história com a emissora pioneira da cidade começou, quando eu participei de um concurso realizado no Clube da Sexta-Feira, um famoso programa de auditório, que era produzido e apresentado pelo Dr. Daniel Neves, para a escolha do novo apresentador do programa “Ciranda, Cirandinha Lacta”, pois o Antonio Almir Lanfredi, conhecido como Taxinha, havia se mudado para São Paulo e deixando assim de apresentar o programa. Fui classificado para apresentar o programa, juntamente com Luiz Carlos Puato, que hoje é advogado em Lençóis Paulista, e João Moura (falecido), que por muitos anos foi proprietário de parques de diversão na região. A partir do terceiro programa, fiquei sozinho na produção e apresentação do mesmo, pois os outros dois desistiram.  

OD:- Fale um pouco sobre esse seu primeiro programa na Clube AM.  

GS: - Nesse programa infantil, as crianças cantavam acompanhadas ao piano pela professora Irides Canella, ou por Péricles Leme de Almeida, no violão. Nessa época a Lacta era a patrocinadora e enviava chocolates para serem distribuídos às crianças da platéia.  Em 1967, com o encerramento do patrocínio da Lacta, eu frequentava o “Curso de Formação de Professores Primários”, o antigo Normal, hoje curso superior, e resolvi mudar o estilo e o nome do programa, que passou a se chamar “Mini-Guarda Show”, voltado para as crianças da “Jovem Guarda”. Era feito em dois blocos. No primeiro se apresentavam as crianças cantando, dançando, dublando, etc. No segundo bloco, aproveitando os conhecimentos do curso normal, eu realizava uma Gincana Cultural e Recreativa com a participação de todas as escolas de primeiro grau da cidade, um tipo Escola x Escola. Durava o ano todo e em dezembro era conhecida a escola vencedora, que recebia troféus e medalhas.  O programa, modéstia à parte, era muito bem produzido, com o uso, por exemplo, de painéis luminosos para as perguntas, acendendo luzes para respostas certas e erradas, e outros recursos cênicos, que eram produzidos por mim, pelo Silvio Falcade e Donizete Luvizutto. A sonoplastia ficava por conta do Luiz Carlos Rodrigues, que fazia milagres, nesse e em outros programas, com os discos 78 rotações. Esse programa durou mais ou menos até o começo de 1970.  

OD: - Qual foram os outros programas que você fez na Rádio?   

GS: - Até 1968 minhas atividades na Rádio Clube eram restritas aos domingos, pois eu trabalhava na Casa Surita durante os outros dias da semana. Nos anos de 1966, até 1968, a A.A. Sãomanoelense disputava o Campeonato da 3ª Divisão da FPF, e eu fazia parte da equipe esportiva da Rádio. Inicialmente fazia o “Plantão Esportivo”, nos estúdios. Depois foi repórter de campo e tive a oportunidade de viajar muito pelo interior do Estado. Faziam parte da equipe esportiva, nessa época, dentre outros, Pascoal Martucci e Beto Salles (falecido), que eram os narradores, Dalton Torres e Aparecido Sartorelli (falecido), comentaristas, e eu como repórter de campo. Paulito Augusto (falecido) era quem montava os equipamentos nas externas, fora de São Manuel. Naquele tempo era muito difícil fazer transmissões de outras cidades. Era por linha telefônica, e nunca sobrava dinheiro para comprar duas linhas, uma para a ida do som, outra para o retorno. Só sabíamos se a narração do jogo fora mesmo para o ar quando chegávamos de volta a São Manuel e perguntávamos, no primeiro bar, qual fora o resultado do jogo. Se soubessem, então tinha ido para o ar, recordo-me com saudade desse tempo e dos velhos amigos.   

OD: - Você fez parte do quadro efetivo de funcionários da Rádio?   

GS: - Sim. De 1968 até 1971, passei a trabalhar diariamente na Rádio Clube, fazendo diversos programas, como o Café da Manhã, Coluna Esportiva, Organize o Seu Programa, dentre outros. Fiz por três anos o programa mais antigo e de maior audiência da rádio, o Sociais “programa que tudo informa”, que em seguida foi apresentado por Dona Nenê Plese, por mais de 40 anos.  Nesse período, elaborei uma programação especial para comemorar os 30 anos da Rádio Clube, oportunidade em que a emissora participou do desfile da cidade com belíssimo carro alegórico. Produzi e gravei comerciais alusivos ao Centenário da Cidade, gravados na Bauru Rádio Clube, em discos de 78 rpm, o que era uma grande novidade então. Apresentei diversos “Programas da Saudade”, com participação de músicos e cantores locais. Colaborei, em1969, na produção da participação vencedora de São Manuel, no programa Cidade X Cidade apresentado por Silvio Santos na TV Tupi, Canal 4, contra a cidade de Valparaizo. No final de 1970 fui nomeado Supervisor Municipal do Mobral e depois fiz parte da Assessoria de Gabinete do Prefeito Luiz Magalhães Machado e passei a colaborar esporadicamente com a Rádio Clube.  

OD: - Você teve uma segunda passagem efetiva pela Rádio Clube. Quando e como foi?  

GS: - No início de 1981, eu voltei para a Rádio Clube como responsável pelo escritório e departamento comercial da empresa, assim como pela produção de alguns programas. Também nesse período fiz parte, algumas vezes, da Equipe Camisa 12, que transmitia jogos da A. A. Sãomanoelense e jogos dos campeonatos varzeanos da cidade. Desse período recordo-me que pude organizar diversas atividades como coberturas dos desfiles de carnaval, com as Escolas de Samba de então, com transmissão dos ensaios e entrevistas ao vivo; apuração das eleições de 1982, com uma equipe de cerca de 35 pessoas, com os dados computados à mão, pela inexistência de computadores eletrônicos; os muitos boletins passados para a Rádio Bandeirantes e para muitas outras emissoras brasileiras sobre notícias locais, como por exemplo a eleição do mais jovem prefeito do Brasil, Milton Monti; narrações gravadas dos roteiros da Procissão de Corpus Christi, ao lado do saudoso amigo Gildo Sanches. 

Tudo isso fazem parte da minha bagagem radiofônica, sendo que ainda guardo com muito carinho, os registros, em gravação, desses áudios. Afirmo com convicção que foi, através do contato diário com os ouvintes, pelos microfones, e com os companheiros de trabalho, nas conversas, brincadeiras e “muito papo sério”, que eu pude formar o meu caráter e encaminhar-me na vida. Acentuo que devo muito do que sou e do que sei à Rádio Clube de São Manuel, verdadeiro patrimônio cultural de nosso município.   

 OD: - Em 1983, você foi convidado pelo Prefeito Miltinho, para ser seu Assessor de Imprensa. Como era feito esse trabalho?  

GS: - Como recebi esse honroso convite, deixei o quadro de funcionários da Rádio Clube e fui colaborar com a administração do então mais jovem prefeito do Brasil, Milton Monti. Acredito que tenha sido a primeira pessoa na cidade a desempenhar essa função na Prefeitura local. Respondendo à pergunta de como era feito esse trabalho, devo lembrar que era uma época bem diferente dos dias atuais, em vários sentidos. Nesse tempo não havia ainda a chamada mídia eletrônica, esse conjunto de meios modernos que se utiliza de vários recursos eletrônicos na área da comunicação, facilitando assim a transmissão, em tempo real dos conteúdos (de vídeo, áudio ou textos), tanto para a imprensa ou para o público em geral. O hoje antiquado E-mail era só um sonho na cabeça dos visionários como eu. Assim, dependíamos apenas da máquina de escrever e do microfone para atingir o público alvo. Como radialista de formação, montei um estúdio de som na Prefeitura, ligado diretamente com as emissoras locais, para a transmissão de notícias em tempo real. E por meio de gravações para as emissoras de outras cidades. Para os jornais eram encaminhados “press-realese”, famosos comunicados emitidos antes da notícia completa. Além da função específica, tive a honra e o prazer de apresentar, como Mestre de Cerimônia, diversos eventos oficiais da cidade.  

OD: - Nesse sentido, como você vê esse avanço tecnológico nos meios de comunicação pessoal e de massa?  

GS: - Se por um lado, o surgimento de novas e modernas tecnologias de comunicação social é benéfico para o desenvolvimento do ser humano, melhorando sua qualidade de vida, por outro, me preocupa bastante o uso inadequado dessas chamadas mídias sociais. O acesso às redes sociais como o Facebook e o Orkut, bem como outras mídias como o WattsApp cresce a cada dia, podendo seus membros a qualquer momento, contribuir com publicações, opiniões e até uma boa causa, atingindo assim seus bons objetivos. Em contrapartida, essas mídias eletrônicas estão se tornando uma excelente oportunidade também, para pessoas e organizações inescrupulosas, disseminarem notícias falsas, boatos, informações incorretas, como por exemplo, rumores sobre presença de substâncias perigosas e vírus em vários medicamentos. Por isso, não custa nada tomarmos cuidado com o que “re-encaminhamos” nos grupos do “Zap Zap”.  

OD: - Você hoje está aposentado. Quais foram os outros lugares em que trabalhou?     

GS: - Aqui em São Manuel, em entidades privadas, além da Rádio Clube, fui funcionário por algum tempo do Sindicato Rural, localizado na Rua XV de Novembro. Junto ao Poder Público, na Prefeitura de São Manuel trabalhei em dois períodos. No primeiro exerci as funções de Assessor de Gabinete (do Prefeito e do Setor de Saúde) e Encarregado da Junta do Serviço Militar. Já no segundo período fui Assessor de Imprensa. Na Câmara Municipal de São Manuel no cargo de Divulgador de Atos e Fatos do Legislativo. Em Barra Bonita fui Gerente Administrativo da Rádio da Barra AM, Jovem Pan FM e Jornal da Barra. Tive a oportunidade de trabalhar ainda em Pratânia (Assessor de Comunicação, na Prefeitura e Assessor Legislativo, na Câmara). Nessa cidade participei ativamente da criação da Rádio Comunitária Prata FM. Meu ultimo local de trabalho foi em Lençóis Paulista, na Câmara Municipal na função de Diretor Geral.    

OD: - Fique à vontade para acrescentar algo que queira ou que não foi perguntado.   

GS: - Agradeço a oportunidade que me foi concedida, pela direção do Debate Regional, de relembrar e tornar público fatos da minha vida pessoal e profissional. Encerrando, quero deixar uma mensagem de Dalai Lama, especialmente para os jovens: “Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito: um se chama ontem e o outro, amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver!”   

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