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Edição 597 de 15/06/2018

Arlindo Chico

Arlindo Chico é o mais antigo Radioamador da região em atividade, desde 1953, portanto há 65 anos

Arlindo Chico é o mais antigo Radioamador da região em atividade, desde 1953, portanto há 65 anos. Técnico em eletrônica e comerciante, nasceu em 18 de julho de 1934, na cidade de São Manuel, filho de Luiz Chico e Gersomina Fabricci. Casado com Edna Furgeri Chico, sendo seus filhos Edson Luiz e Maria Cecília casada com Antônio Sérgio, sendo seus netos Haline e Ivan. Nesta entrevista ao Jornal O Debate, Arlindo Chico conta aos nossos leitores tudo sobre o radioamadorismo, um assunto muito interessante e complexo, mas que poucos conhecem, e também um pouco sobre sua vida.

Jornal O Debate: 

O que é Radioamadorismo?

Arlindo Chico: Radioamadorismo é uma atividade praticada por pessoas que se interessam por diversos aspectos da radiocomunicação, que são aptas e licenciadas, regulamentadas pelo poder público de cada país para conduzir não só a radiocomunicação,  bem como experimentação científica relacionada ao tema. O praticante de radioamadorismo é denominado RADIOAMADOR, o que não deve ser confundido com o equipamento utilizado para realizar a radiocomunicação que deve ser chamado de transceptor, simplesmente: rádio. É um hobby científico. Todos os radioamadores são pessoas comuns, conhecidas no mundo todo como operadores de rádio que auxiliam seus semelhantes em catástrofes ou outros eventos quando falham os demais sistemas normais de comunicação.

OD: O que um radioamador faz?

Arlindo: A atividade do radioamador é muito ampla, basicamente um radioamador procura aprender e explorar o campo da radiocomunicação, tornando-se um especialista em enviar e receber informações via rádio, aprendendo com isso os detalhes técnicos e operacionais de seus equipamentos, além de aprender a construir antenas, acessórios, dispositivos eletrônicos auxiliares e até mesmo seus próprios rádios. O exercício dessas atividades o leva inevitavelmente, a aprender sobre outros campos do conhecimento como: novos idiomas, geografia, mecânica, elétrica, energias alternativas, dentre outras. Através de:

- Bate papo (Chat) ou como dizem, “ primeira rede social” que surgiu, podendo ser sobre os mais variados temas, desde dos do dia como técnicos ou científicos, seja em fonia (transmitindo a voz) ou CW (através da transmissão de sinais Morse).

- DX – busca de contatos distantes: aqui a diversão é buscar a comunicação com todos os locais do mundo, variados países, culturas. A diversão é estabelecer radiocomunicação em lugares inóspitos ou onde não há radioamadores existentes, pode ser uma ilha distante, um país, ou até um continente (Antártica).

OD: Como surgiu o Rádio Amador?

Arlindo: O Rádio Amador teve sua origem no final do século 19, mas como é utilizado hoje, pode-se dizer  que teve seu início no século 20, com as primeiras transmissões entre rádio amadores, pelo mundo, após a 1ª Guerra Mundial.

OD: Em São Manuel, quando surgiu e quem implantou o Rádio Amador?

Arlindo: Em 1939, a Rádio Clube de São Manuel foi inaugurada como PR 16, e Vitorino Ribeiro que era Rádio Amador com o prefixo PY2JB, veio trabalhar como técnico na emissora de rádio. As instalações da rádio ficavam no terreno que pertencia aos meus familiares, onde é hoje o São Manuel Tênis Clube, e eu ainda garoto, muito curioso estava sempre presente quando Vitorino ia fazer a assistência técnica na aparelhagem. A amizade foi surgindo e já na década de 40, eu comecei a me interessar por eletrônica e pelo radioamadorismo, por ser amigo de Vitorinio, estava quase sempre presente quando este  fazia suas transmissões pelo rádio. Nessa época,  ele era o único rádio amador da cidade, e eu sempre curioso, já sonhava em ser um. 

OD: Como você iniciou a sua participação no radioamadorismo?

Arlindo: Eu estudei eletrônica, e já como técnico prestava assistência. Em 1952, veio residir em São Manuel, para ser gerente do Banco Comercial, Celiano Caçapava, que era radioamador com o prefixo PY2TG. Ele e sua esposa gostavam muito de falar pelo rádio e tinham um equipamento muito bom. Como técnico, instalei seus equipamentos, e uma grande amizade surgiu, estava sempre com eles participando de suas transmissões, pois o rádio, naquela época era o meio mais eficiente de comunicação. Aos sábados e domingos frequentava sua casa e junto a ele fazíamos contatos pelo mundo. Eu cada vez mais interessado, e incentivado por ele prestei os exames necessários e em 1953,  me tornei rádio amador, iniciando minhas atividades com o indicativo PY2BQP, o qual utilizo até hoje.

OD: Qual o nome e em que frequência trabalham os radioamadores de São Manuel?

Arlindo: Em São Manuel, utilizamos a frequência VHF. Temos as Repetidoras PY2KGL na frequência 145.250MHz e a Repetidora PY2KDM na frequência 147.150 MHz. Intituladas Princesinha da Sorocabana.

OD: O que é preciso para ter uma estação de rádio instalada?

Arlindo: É necessário ter um bom transmissor e receptor, hoje já encontramos os dois em um só aparelho e uma boa antena que nos permita operar em todas as faixas e frequências destinadas ao serviço de radioamador. Uma estação repetidora ou um repetidor é um equipamento que fica, geralmente, em pontos elevados e repete o sinal que chega até ele, ou seja, a repetidora recebe o sinal em um canal e transmite simultaneamente em outro canal bem próximo na mesma banda. Os equipamentos de radiocomunicação ou que emitem sinal de radiofrequência precisam ser homologados pela Anatel, dessa forma fica garantido que estes aparelhos não darão interferência em outros equipamentos e em outros serviços.

OD: É preciso fazer algum exame para ser Rádio Amador?

Arlindo: Sim, é feito uma prova elaborada pela ANATEL, cujos assuntos são: ética operacional, conhecimento de rádio eletricidade, legislação de telecomunicações, transmissão e recepção auditiva em código morse (telegrafia) e está dividido em classes.

OD: Como se consegue ser radioamador?

Arlindo: O primeiro passo para se obter a licença de radioamador é procurar a Anatel e realizar um teste de conhecimentos básicos, dependendo da classe pretendida. As licenças para o serviço de radioamador são divididas  em classes, similar a carteiras de motorista, baseado no conhecimento comprovado em testes na Anatel, são elas:

- Classe C: a mais básica, onde é preciso fazer um teste teórico de conhecimentos em ética e técnica operacional e legislação. 

- Classe B: o candidato a classe B precisa comprovar conhecimento em legislação, ética e técnica operacional e realizar um teste de conhecimentos em eletrônica e código morse.

- Classe A: as provas tem requisito bem parecidos com as da classe B, mas a porcentagem de acerto deve ser maior para a aprovação, porém o candidato precisa ter licença como classe B por no mínimo um ano para se candidatar a prova.

As matérias abordadas nas provas podem variar conforme o local de avaliação, ou seja, podem haver locais onde para a Classe A seja cobrado somente conhecimentos em eletrônica devido ao fato de que o candidato já foi avaliado em código morse quando fez a prova para a classe B e vice-versa. Tendo sido aprovado no exame, uma licença é expedida e um prefixo é denominado e o então rádio amador inicia suas atividades.

OD: Existe uma idade mínima para conseguir essa licença?

Arlindo: No Brasil, a idade mínima estabelecida é de dez anos, desde que seja aprovado nos testes de ética operacional e legislação de telecomunicações e cabendo aos respectivos pais a responsabilidade por seus atos e este é denominado Classe D.

OD: A atividade de radioamador é regulamentada?

Arlindo: Sim, o radioamador é uma pessoa habilitada pelos órgãos competentes e no Brasil está a cargo da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). As frequências são delimitadas por esses órgãos.

OD: É possível conversar com qualquer pessoa que tenha o equipamento, mesmo em outros países?

Arlindo: Com toda certeza, o radioamador viaja através do radio indo e vindo. Milhares de contato são feitos, ultrapassando fronteiras. O radioamador pode estar em contato com um amigo da própria cidade, ou com uma pessoa de um país muito distante, até mesmo com um astronauta russo ou americano em órbita terrestre.

OD: Afinal, do que se fala, quando o tema é radioamadorismo?

Arlindo: Hoje posso dizer que o radioamadorismo ainda está sendo bem apreciado em todo o mundo para um bate-papo, atividades interessantes como contestes e rodadas via radio, fazer amigos, ampliar conhecimentos.

OD: E para ser radioamador é preciso ter muitos conhecimentos de eletrônica?

Arlindo: Alguns conhecimentos básicos de rádio eletrônica.

OD: O que o levou a se interessar pelo radioamadorismo?

Arlindo: Acredito que meu espirito aventureiro. Gosto muito de fazer amizades, além de saber que através do rádio posso auxiliar pessoas nas mais diversas situações e diante disto acabo fazendo a diferença. Com tudo isso inúmera história tenho para compartilhar com meus filhos e netos. Uma das facetas deste hobby que muito me atrai é que os sinais de rádio não param nas fronteiras do país, ser um radioamador é como ter um passaporte internacional. Você pode visitar o mundo, fazer amigos ocasionais sem mesmo sair de casa.

OD: Que contato você estabeleceu e que, de alguma forma, tenha te marcado?

Arlindo: Dentre centenas de QCT (mensagens passada) que realizei, vale destacar que: Em uma ocasião fui procurado pelo Senhor Juca Nunes e sua esposa, eles estavam imensamente preocupados, pois haviam ouvido no noticiário da rádio que uma ponte em uma determinada cidade do Paraná tinha sido destruída e uma caminhonete verde com dois ocupantes foi levada pela correnteza. O desespero do casal era devido a coincidência de informações, seu filho e um amigo tinham viajado para esta localidade e o carro que ocupavam era uma caminhonete verde. Já era noite quando chegaram em minha residência. Fui até o rádio e consegui contato com um radioamador que estava em escuta que por sorte era daquela região. Prontamente o radioamador contato foi em busca de informações, os radioamadores principalmente nessas situações são muito solidários, este radioamador que entrei em contato, contatou outros amigos e não demorou muito, veio a alegre notícia de que seu filho e o amigo haviam sido localizados em um hotel dessa cidadezinha, estavam na varanda tomando cerveja, aproveitando a noite, pois estavam impossibilitados de prosseguir viagem exatamente devido as fortes chuvas e a destruição da referida ponte. O casal ficou imensamente agradecido e nos tornamos bons amigos, uma amizade que se estendeu por muitos anos.

OD: Como o surgimento e crescimento da Internet, que espaço há ainda para o radioamadorismo?

Arlindo: Se não fosse as técnicas desenvolvidas pelos radioamadores a internet demoraria muito mais para ser desenvolvida, pois o sistema de transmissão de dados via micro-ondas foi o que mais contribui, portanto o radioamadorismo foi precursor de muitas tecnologias. Hoje a internet e o radioamador tem seu espaço, num momento de catástrofe onde tudo para, o radioamador é aquele que não encontra barreiras tecnológicas e faz a diferença.

OD: Que argumentos usam para cativar as pessoas para experimentarem o radioamadorismo?

Arlindo: Convidando para conhecerem, fazendo demonstrações de como funciona, ressaltando sua utilidade e como podemos fazer a diferença nos meios de comunicação.

OD: E o equipamento? É caro?

Arlindo: Não, o valor gasto para aquisição do equipamento depende do quer voe deseja adquirir. Os valores são os mais variados, podendo ser bem baixo,

OD: Como está o radioamadorismo aqui em São Manuel?

Arlindo: Nos dias de hoje, o número de radioamadores vem crescendo, somos em um bom número. Uns mais antigos e outros iniciando.

OD: Que dicas você daria para quem deja ser um radioamador?

Arlindo: O rádio nos dá a oportunidade de fazer amigos e nessa vida o que realmente faz diferença são nossas amizades, pois eles são as famílias que escolhemos. No mundo inteiro existem mais de 3 milhões de radioamadores se conectando e trocando mensagens, informações e entretenimento. Os Estados Unidos é o país com o maior número de radioamadores, são aproximadamente 550 mil, seguidos pelo Japão, com 350 mil. No Brasil são cerca de 40 mil radioamadores que se conectam com o mundo todos os dias. Cientificamente o radioamadorismo é um serviço de telecomunicações praticado em todo o mundo por indivíduos habilitados e licenciados para operar em determinadas faixas de frequências de rádio. O controle governamental é rígido e alguns impostos são cobrados todos os anos para que o hobby de muitos se tornem realidade.

Radioamadores conseguem manter comunicações diretas com outros radioamadores em qualquer parte do Brasil e do mundo. Basta ter um bom equipamento e uma boa antena. Gostaria de citar alguns radioamadores famosos: 

• Akio Morita – Fundador da Sony- JP1DPJ

• Alberto Lopes – lmirnte – CT1VV

• Anastasio Somozira – ex-presidente da Nicarágua – YN1AS

• Arthur Collins- fundador da Collins Radio – W0CXX

• Bhuumibol Adulyadej – Rei da Tailândia – HS1A

• Blaine Hammond – Astronauta norte-americano - - piloto do ônibus espacial Discovery – KC5HBS

• Carlos Menem- ex-presidete da Argentina – LU1SM

• Dirk Frimouut – Astronauta – ON1AFD

• Edgar Roquette Pinto – Pai da radiofusão brasileira – SB1AG

• Hassan II de Marrocos – Rei de Marrocos CN8MH

• Helen Sharman – Astronauta inglesa – 

• John Huston – ator e diretor de cinema – 6UY

• Juan Carlos de Borbon – Rei de Espanha – EA0JC 9 com quem já fiz vários contatos)

• Juscelino Kubitschek – ex-presidente do Brasil – PY1JKO

• Marcos césar Potes – 1º Astronuata Brasileiro – PY0AEB

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