Edição 584 de 10/11/2017

Soberba e orgulho acima dos limites

Existem pessoas que se caracterizam por um comportamento absolutamente fora do normal, diferente dos seus semelhantes, dotados de um orgulho falso, característica do que se define como empáfia ou soberba. Ou, se o leitor preferir outros sinônimos: altivez, presunção. Esses indivíduos jactam-se de possuírem supostos dons, gabam-se e vangloriam-se por terem, segundo eles, qualidades incomuns que, quando bem analisadas, mostram ser apenas predicados hipotéticos e fictícios, que o pouco desenvolvimento da capacidade que têm de realizar um autoexame, os impede de visualizar. 

Já disse alguém que a soberba jamais foi boa conselheira, e que, mais cedo ou mais tarde, vai colocar aquele que a adota em situação de extremo ridículo. Essas demonstrações de orgulho são de uma empáfia e de altivez fora de propósito, apenas se ajustam ao medíocre, ao despreparado para a vida.

Há que se observar que, no viver de cada um, as situações sofrem alternância, apresentando um sem número de variações. Assim, aquele que ontem viveu a suposta glória de um vitorioso que colhe alguns poucos louros por algo conquistado pode, hoje, amargar a tristeza e o peso da humilhação porque a conquista não foi tão expressiva como julgava.

Pior, então, é o que conquista alguma coisa, uma fatia do poder, por exemplo, e deixa com que isso lhe suba à cabeça cometendo atos desnecessários sobre os parceiros e subalternos, “pisando” sobre eles. Deveria saber o que assim age que a qualquer momento o redemoinho da vida pode fazê-lo sentir a

 dureza do “não dar certo”. O que tripudia hoje pode ter o revés na próxima esquina.

O homem evoluiu de maneira fantástica, desenvolveu as mais inacreditáveis tecnologias, criou novos caminhos para melhorar a vida dos semelhantes, descobriu vacinas que eliminaram doenças terríveis, só não conseguiu descobrir uma vacina contra a presunção.

Outro ponto importante analisar é o orgulho, que é um sentimento ambivalente, podendo ora ser negativo, ora positivo, dependendo da situação específica em que se insere. No primeiro caso, temos o amor-próprio ou autoestima exacerbada, assumindo aspectos variados como os encontrados na presunção, na arrogância, na soberba e na empáfia. No segundo caso, esse complexo sentimento pode assumir as formas de dignidade pessoal, brio e altivez, que são também conceitos exagerados de si mesmo. No desdobramento desse tema procuraremos abordar todas essas facetas do orgulho.

Em seus aspectos negativos o orgulho faz com que a criatura se julgue acima de todas as outras, isto é, considere os seus semelhantes inferiores. Sua superioridade aparente é por ela usada como desprezo aos seus iguais, de quem zomba, olha de soslaio ou trata com indiferença e desdém, chegando até a dispensar o auxílio alheio. Ainda, em determinadas pessoas que não conseguem se desvencilhar do orgulho, este se transforma em arrogância e, consequentemente, elas acabam ofendendo os mais humildes, desprezando os seus valores. 

Trata-se aqui de uma séria deformação do caráter, já que, quase sempre, essas pessoas possuem conhecimentos, têm alguma inteligência e poderiam muito bem dispensarem-se de usar este sentimento tão desprezível no trato, no convívio com seus semelhantes. Deveriam saber que desprezando os outros, e, consequentemente, os seus valores, torna-se difícil aproximar-se deles e merecer a sua confiança e apoio. Seus méritos, caso existam, não conseguem sobrepor-se ao orgulho que termina por sobressair-se, revestido de grandes doses de grosseria e estupidez. 

Os orgulhosos, ainda no seu sentido negativo, não conseguem cativar nem ser solidários com ninguém, porque é da sua própria natureza procurarem se manter sempre intocáveis. Por isso mesmo, não se preocupam com ninguém. Sua maior preocupação é impor suas ideias e opiniões. Procuram colocar a marca de seu orgulho nos gestos e, principalmente, na entonação da voz, quase sempre acompanhada com um acento de ironia e desdém. Normalmente, dizem os especialistas, têm um comportamento egoísta. 

O orgulhoso ou soberbo não sabe respeitar a opinião e a liberdade alheia. Se puder constranger as pessoas, ele o faz de maneira acintosa e com muita empáfia. Usa a empáfia para “arrotar” grandeza. A convivência é difícil porque ele sempre se coloca acima dos outros. Exaspera-se com facilidade, é insensato, não tem largueza de espírito e é desprovido de qualquer resquício de humildade, o que faz com que seu relacionamento e convívio com os outros seja extremamente difícil. Embora ele próprio nunca perceba que não é.

Central São-manuelense de Comunicação – Jornal O Debate, Rua Cel. Rodrigues Simões, 69
Centro – São Manuel – SP, Telefones (14) 3842.3637 / 3841-4459 – contato
Desenvolvimento e Hospedagem: TeraQualy