Edição 610 de 22/03/2019

A história que se repete

Novamente fomos bombardeados com notícias trágicas na última semana. A começar pelo atentado à escola Raul Brasil, em Suzano, e mais recente, em Cristchurch, na Nova Zelândia. O comportamento do ser humano entre os mundos virtual e real estão numa tênue linha. Os avanços tecnológicos estão tomando proporções nunca antes vistas e, com isso, o aumento em nosso desejo de possuir essas novas tecnologias está numa crescente vertiginosa.

Para o sociólogo Bauman, a modernidade imediata é “líquida” e “veloz”. Mas, o que isso quer dizer? Significa que estamos cada vez mais correndo contra o tempo, onde o “aqui, agora” faz-se presente. Entretanto, um dos assuntos menos abordados é o da empatia. 

Empatia, para quem não conhece este termo, tem em sua denotação o sentido de se colocar no lugar do outro, agir conforme outra pessoa agiria nas mesmas circunstâncias. Sentimento que não se faz mais presente em terras tupiniquins.

Frente aos atentados em Cristchurch, a primeira-ministra Jacinda Arden adotou uma postura rígida:  não dará notoriedade ao assassino, e dar atenção às vítimas e seus familiares. Isso é um ato de empatia e tal reação esboçada pela premiê gerou elogios pelos críticos da área política.

O exercício da empatia é simples e fácil, porém doloroso. Colocar-se no lugar do outro, sentir na pele o sofrimento vivido pelo próximo é capaz de nos aprimorar para poder respeitar sem quaisquer preconceitos.

“Eu vos ensino o super-homem. O homem é algo que deve ser superado. Que fizeste para superá-lo?” Esta indagação está nas páginas iniciais de Assim Falava Zaratustra, do filósofo alemão Nietzche. E agora, cabe a nós respondê-lo. Será que a evolução do homem será capaz de dar um passo à frente em nossa linha? Estamos sendo a melhor versão de nós mesmos para os outros?

Durante esta tempestade, o sentimento de amargura aflora. O ódio toma conta das pessoas de certa forma que as deixam passíveis de cometer atrocidades inimagináveis. Por isso, o exercício da empatia é de fato necessário a todos nós.

A instantaneidade confronta diretamente a paciência: um erro sem igual. Por isso, sempre devemos pensar antes de agir. No momento de impulso, ficamos vulneráveis e míopes à realidade, o que pode acarretar prejuízos imprescindíveis a nós mesmos. 

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