Edição 610 de 22/03/2019

De roupa nova

Se tudo caminhar conforme o planejado, o grande templo será finalmente recuperado

A notícia é auspiciosa, alvissareira mesmo, e terá um efeito surpreendente sobre os milhares de católicos de São Manuel e região. Importante cartão postal, talvez o mais destacado da cidade - capaz de deixar de queixo caído turistas que afloram aqui, notadamente nas datas de cunho religioso como Corpus Christi e Festa da Aparecida -, o imponente Santuário de Santa Terezinha do Menino Jesus poderá passar por uma ampla reforma. A boa nova foi dada pelo padre Carlos Ferreira dos Santos, Pároco da Paróquia São Manuel, recém-empossado no cargo (ele veio de Curitiba) e já inteirado das necessidades das igrejas e capelas agora sob sua responsabilidade. Pintura desbotada, paredes enegrecidas pela umidade, áreas sem reboco, instalações elétricas e hidráulicas carentes de reparos, e madeiramento danificado. A aparência da gigantesca igreja - dizem que é a maior do mundo construída em honra a Santa Terezinha - não é francamente das melhores. Um problema sem solução que se arrasta há décadas não por descaso ou por falta de vontade, mas por escassez de dinheiro. Uma reforma dessa magnitude requer muito capital, na proporção exata do tamanho da edificação.

A igreja católica não é uma fábrica ou um comércio, não gerando, portanto, ganhos e dividendos. O dinheiro teria de vir, necessariamente, de doações Aqui, portanto, reside o x da questão. E como ela poderá ser resolvida? De um jeito até então impensado e que, apesar das incertezas e hesitações, está caminhando a contente para a felicidade dos clérigos envolvidos. Serão necessários, segundo cálculos de uma construtora de Bauru, 350 mil reais para deixar o Santuário nos trinques, com cheirinho de novo. A ideia é que parte desse volume seja desembolsada pela igreja, parte por um italiano empolgado com o projeto, que nunca esteve em São Manuel, mas devota admiração e respeito pela cidade. O bom samaritano tem um justificado motivo para querer participar da empreitada: ele é sobrinho do célebre padre João Batista Bísio, que chegou ao município em fevereiro 1937, vindo da Itália, com o propósito de instalar aqui a base do Instituto Missões Consolata no Brasil, e falecido, dez anos mais tarde, foi sepultado naquele templo.


Contato na Itália - O meio de campo dessa aproximação está sendo feito pelo padre Aquileu Fiorentini, provincial da Consolata, que vem mantendo seguidos contatos com o bondoso italiano, agora transformado em parceiro de uma planejamento que, de acordo com o pároco e se tudo correr conforme o esperado, poderá sair do papel nos próximos meses. Vale destacar que o jazigo do padre Bísio repousa no Santuário, e não por mera casualidade. Além da incumbência pela implantação em terras brasileiras do Instituto Missões Consolata, o sacerdote também havia se compromissado com o término das obras do grande templo. Ele começou a ser construído em 1925, mas passados doze anos continuava inconcluso. Foi somente em agosto de 1938, ainda com as paredes por serem rebocadas, que o Santuário abriu de vez as portas aos fieis. 

A escolha de 1925 para o início da construção do templo em honra de Santa Terezinha coincide com o ano de sua canonização, uma decisão que partiu da Cúria Arquidiocesana de Botucatu. Num primeiro momento, aquela cidade estava destinada a receber a grande obra; todavia, personalidades importantes da sociedade são-manuelenses entraram em ação, demovendo o bispo de ir em frente com seu planejamento, oferecendo uma área em São Manuel outrora ocupada por um cemitério e apta a abrigar o cobiçado projeto. O bispo gostou da troca e sem delongas fez a opção pela proposta dos são-manuelenses, um evento que, daqui a pouco, estará completando cem anos. Em tempo: o sobrinho de Bísio poderá vir a São Manuel após a reforma do Santuário.            MR.Nítolo 

 

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