Edição 599 de 13/07/2018

Doenças erradicadas criam sensação de que vacina é desnecessária

Doenças erradicadas criam falsa sensação de que vacina é desnecessária

Sarampo, pólio, difteria e rubéola voltam a ameaçar após erradicação no Brasil

Fonte: Agência Brasil

Doenças erradicadas no país voltam a aparecer devido ao descaso da população com as vacinas que devem ser tomadas.  A maioria das pessoas, ainda acredita que algumas vacinas, como é o caso da Vacina da Gripe e da Febre Amarela, podem causar reações diversas e com medo não se vacinam, fazendo com que o número de casos aumente e o pior, afetem o resto da população.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a aplicação de todas as vacinas do calendário adulto estão abaixo da meta no Brasil, incluindo a dose que protege contra o sarampo, doença que registra surtos em pelo menos três estados. Entre as crianças, a situação não é muito diferente , em 2017, apenas a BCG, que protege contra a tuberculose e é aplicada ainda na maternidade, atingia a meta de 90% de imunização.

A tendência de queda nas coberturas vacinais, segundo a pasta, começou a aparecer em 2016 e vem se acentuando desde então. Em 312 municípios brasileiros, menos de 50% das crianças foram vacinadas contra a poliomielite. Apesar de erradicada no país desde 1990, a doença ainda é considerada endêmica em pelo menos três países, Nigéria, Afeganistão e Paquistão,  e ensaia uma reintrodução nas Américas caso a cobertura vacinal não se mantenha em 95%.

Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, avaliou que o sucesso da vacinação no país ao longo das últimas décadas e a consequente erradicação de doenças criaram uma falsa sensação de que as doses não são mais necessárias. Outro problema, segundo ela, é a divulgação das chamadas fake news nas redes sociais e que, no caso das vacinas, podem causar alarde e assustar a população.

“Se não tivermos a população devidamente vacinada, poderemos ter o risco de reintrodução de doenças”, alertou. “Existe, por exemplo, um fluxo constante de pessoas viajando. Se pararmos de vacinar, uma pessoa doente chega ao país e o vírus tem a chance de voltar a circular. Enquanto a doença não for erradicada no mundo, precisamos da vacinação”, completou.

Sarampo

De acordo com a coordenadora, a situação do sarampo no Brasil é a que mais preocupa. Amazonas e Roraima, juntos, já registram cerca de 500 casos confirmados e mais de 1.500 em investigação. O Rio Grande do Sul também confirmou pelo menos seis casos. Países de alta renda, segundo Carla, “relaxaram” com a vacinação. Itália, Grécia e Bulgária são exemplos de nações com baixa cobertura vacinal para a doença.

“O sarampo é um risco concreto. Mais de 450 casos confirmados no Norte, em Roraima e no Amazonas. Há casos confirmados no Rio Grande do Sul. Estamos Investigando casos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Podemos ter uma retransmissão do sarampo em todo o país”, alertou. “Os próprios profissionais de saúde deixaram de achar que recomendação de vacina é importante”.

A orientação do ministério é que todas as crianças, adolescentes e adultos até 29 anos recebam as duas doses previstas para imunização. Adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose.

Campanhas

Até 2012, o Brasil realizava duas campanhas anuais de vacinação contra a pólio – época marcada pelo personagem Zé Gotinha. Atualmente, acontecem apenas as campanhas de vacinação contra a gripe e de multivacinação, quando as doses do calendário infantil que estão atrasadas são atualizadas. Entretanto, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde para situações de baixa cobertura, a pasta volta a realizar este ano campanha de vacinação contra a pólio e o sarampo.

As doses, segundo Carla, devem ser distribuídas em todo o país de 6 a 31 de agosto, no formato de campanha indiscriminada. Isso significa que todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos que procurarem os postos nesse período vão ser imunizadas – mesmo as que já haviam cumprido as doses previstas no calendário infantil. “Será uma oportunidade de dar à criança mais um reforço e aumentar a imunidade”, explicou.

Estratégias

Ainda de acordo com a coordenadora, a estratégia do ministério frente à baixa cobertura vacinal e aos recentes surtos registrados em diferentes regiões do país é a de mobilizar a sociedade e gestores para alertar sobre os riscos. Há situações, segundo ela, que envolvem, por exemplo, bairros específicos com baixa adesão às vacinas ou ainda problemas na hora de registrar os dados no sistema.

“A população só procura vacina quando o surto está na mídia e temos pessoas morrendo. Fora isso, as pessoas não são vacinadas. Como se a vacina fosse uma ação curativa e não preventiva. Ela deve vir antes do surto. É dessa forma que você ganha imunidade. Até porque a vacina vai demorar pelo menos 15 dias para fazer efeito e, em um surto, nesse espaço de tempo, você não fica devidamente protegido.”

A Campanha de Vacinação foi prorrogada várias vezes neste ano, e mesmo assim, as metas do governo não foram atingidas em vários estados.

O número de mortes pelo vírus da gripe subiu 180% em menos de um mês no estado de São Paulo. Conforme boletim do Centro de Vigilância Epidemiológica (CEV) da Secretaria da Saúde paulista, do início de janeiro até o dia 2 de maio, foram registradas 25 mortes pelos vários tipos do vírus influenza. No dia 28 de maio, o número passou a 71 óbitos, segundo dados do CEV. O número de casos confirmados subiu de 146 para 458 nesse período.

A escalada de casos de gripe coincide com a queda nas temperaturas, quando a transmissão do vírus se torna maior, e com a baixa vacinação no estado. 

O H1N1 é o vírus mais letal no estado, tendo causado, até agora, 41 óbitos em 222 casos registrados. O H3N2 infectou 89 pessoas, das quais 13 morreram. Outras 11 mortes foram causadas pelo tipo A, em 98 casos, e seis pelo B, que infectou 49.

No início de junho, a Vigilância Epidemiológica de Limeira confirmou a primeira morte pela gripe H1N1 na cidade este ano. A vítima é uma idosa de 79 anos, que morreu no dia 29 de maio. O mesmo vírus causou duas mortes em Catanduva, confirmadas também no início do mês de junho.

Diante de todos esses alertas sobre a volta de doenças erradicadas no país e a meta não atingida da Campanha de Vacinação da Gripe, a população precisa se conscientizar de que, estar em dia com as vacinas, não só das crianças, mas dos adultos, é de extrema importância e responsabilidade.

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