Edição 597_revista de 15/06/2018

Nove de Julho. Um são-manuelense presente na revolução de 1932.

Mário Martins de Almeida morreu no levante que precedeu a Revolução de 32

Há 86 anos, os paulistas se levantavam contra o governo federal para exigir uma nova constituição. O estopim da guerra foi a morte de quatro jovens estudantes. Em São Manuel (SP), a fazenda onde viveu um dos jovens mortos ainda é preservada pela família. O antigo casarão ainda guarda detalhes do século 19. Tudo muito conservado.

Nos banheiros ainda se usam as banheiras antigas. Os móveis, em perfeito estado, fazem quem entra na casa voltar no tempo. Nas paredes estão retratos de figuras do passado, muitos deles, parecem pintados à mão e documentos com mais de 100 anos ainda permanecem bem guardados. Foi no casarão que Mário Martins de Almeida viveu parte da juventude. “Ele foi um dos protagonistas da revolução de 1932”, explica Eduardo Ayres Delamonica, pesquisador histórico.

Em 1930, um ano depois da crise do café, Getúlio Vargas assumiu o país. No governo provisório, o presidente nomeou interventores para governar São Paulo. Contrariados, os grandes fazendeiros de café, começaram a organizar um movimento no estado para derrubar Vargas e pedir uma nova constituição no país.

O estopim da revolta teve início com a morte de quatro jovens no centro da cidade de São Paulo, em 23 de maio de 32. Os estudantes Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade morreram durante uma tentativa de invasão ao escritório da Liga Revolucionária, grupo que apoiava o governo. “Colocaram uma escada para tentar subir e esses quatro, no meio da multidão, foram alvejados e os corpos cairam no chão. Os manifestantes, como forma de protesto, carregaram os corpos e levaram até a Praça da República, onde existe um monumento erguido para eles, dalí começou a revolução de 32”, ressalta o pesquisador.

Das iniciais dos jovens mortos nasceu o movimento oposicionista conhecido como MMDC - Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Mário Martins foi um dos jovens que morreram em 1932. O primeiro M da sigla é em homenagem ao jovem de São Manuel. No dia 9 de julho de 1932, o estado de São Paulo se levantou em defesa da democracia. “Ele é nascido em São Manuel, nós temos até a certidão de nascimento dele”, ressalta o pesquisador.

Mário Martins de Almeida nasceu em São Manuel em 1901. Estudou na capital e trabalhou em fazendas da família em Sertãozinho, também no interior paulista. Segundo os historiadores, Martins estava na capital para visitar os pais e acabou se envolvendo com a manifestação. O corpo dele foi sepultado em São Paulo e atualmente está no Mausoléu do Obelisco do Ibirapuera. Mas, São Manuel ainda guarda relíquias de um dos seus filhos mais ilustres.

No museu da cidade há uma sala exclusiva da revolução de 32. São objetos que homenagem os combatentes desta batalha. São capacetes, fardas e uma pasta só do Mário Martins de Almeida. Inclusive com uma cópia da certidão de nascimento, provando que ele é de São Manuel. Na certidão consta a inscrição de que ele lutou na revolução.

O museu recebe mais de 300 pessoas por mês. Segundo a coordenadora, Aparecida Toledo Crotti muita gente visita o local para aprender mais sobre a revolução, principalmente sobre Martins. “Pessoal vem muito pela curisidade, conhecer mais sobre este epsódio da nossa história”, conta a coordenadora. 

Além de Mário Martins, o museu conta a história de outros nascidos na cidade que lutaram na revolução. Um deles é Alberto Mártyre, que também morreu, mas em batalha. Os cartazes de convocação estão por toda a parte e munições, documentos e brasões do estado guardam um pouquinho da história da revolução. (Fonte G1)

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